quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Para ser um cristão, leia a Bíblia toda.


Estou aqui falando de religião. Parece que sempre temos alguma coisa a dizer, na ilusão de que podemos acrescentar alguma coisa a tudo que já foi dito. Mas como vencer as doutrinas das denominações para assim alcançarmos um entendimento cristão, o mais puro possível, daquilo que seja a vontade verdadeira de Deus?

Pensando nisto, me venho muitas coisas na cabeça. Uma delas é que o cristianismo não se trata hoje de uma religião ligada às escrituras em si, mas sim, à placa com um nome, das centenas de denominações que existem e as centenas que aparecem a cada momento.

No judaísmo, antes de se atingir a maioridade, deve-se ler toda a tora e estudá-la. Porque os cristãos se fazem cristãos de teses construídas por Igrejas, e não cristãos preocupados em ler as escrituras. Ler a Bíblia e estudá-la na sua totalidade é tão importante, eu diria até mais importante quanto se considerar ligado a uma igreja. É essencial se ler toda a Bíblia antes de se considerar ligado a qualquer nome bonito de uma igreja.

O contesto do antigo e novo testamento, só se compreende quando se lê os dois momentos históricos. A missão de Cristo só fica clara, quando se tem uma visão de todos os livros da Bíblia, do velho e do novo testamento.

Pense que eu aqui poderia dizer o que eu bem estendesse, de forma a até me desviar da verdade, e ainda basear esta minha 'falsa tese' com centenas de versículos bíblicos. Construir uma tese é muito fácil, não aceitar a mentira só se é possível quando se tem um fundamento bem solido da palavra de Deus, com um estudo diário da Bíblia na sua totalidade.

Se pudesse dar um conselho, para que ninguém jamais fosse enganado sobre a verdade, pediria que todo cristão lesse a Bíblia toda como sua primeira missão apostólica, e depois se aprofundasse num estudo cuidadoso das 14 epistolas de Paulo. Em Paulo encontramos a “Constituição do Cristianismo”.

Não se permita ser um cristão da tese feita por uma das milhares teses construídas por igrejas, nem sempre com nomes criativos, igrejas que divergem uma das outras das tantas que existem hoje. Seja um cristão maduro e seguro, que encontrou a verdade na leitura da Bíblia e no seu estudo diário.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Herdeiros da Palavra

por Alexadre Picarelli

E dois mil anos de cristianismo, as denominações hoje, se julgam aquelas que compraram os “direitos da obra”, e que a mensagem de Deus hoje lhes pertence. Elas, as igrejas, são as únicas a terem a compreensão, a dimensão ao entendimento e tradução da mensagem deixada por Deus.

A idéia é tão disparatada, que existe centenas de religiões cristãs, e todas são interpretativamente diferentes, mas todas se autonomeiam “igreja de Deus”, retentoras da palavra e da verdade.

Se hoje alguém, dentro da igreja, se colocar com uma interpretação contraria aos dogmas da mesma, ao invés de abrir um espaço ao debate até a verdade prevalecer, este membro, ao invés do cuidado do ‘amor’, é convidado a se retirar. Não se busca a verdade em nossos dias, os interesses estão acima da verdade?

E se Jesus voltasse? Dostoievski imaginou a cena, no famoso episódio de Os Irmãos Karamazov intitulado "O Grande Inquisidor". Um dia, Jesus aparece em Sevilha, no tempo da Inquisição. Ainda na véspera, 200 hereges haviam sido queimados. A multidão logo reconhece o recém-chegado. Vão lhe abrindo caminho e se ajoelhando. Um cego grita que o cure – e nesse exato momento a luz penetra-lhe as pálpebras. Uma família que vinha enterrar a filhinha pede-lhe que a ressuscite – e ele o faz. A agitação chama a atenção do cardeal, que sai à rua. Ele também reconhece Jesus de imediato – e o que faz? Manda prendê-lo. Trancafiam-no numa cela. Mais tarde o cardeal vai visitá-lo. Está irritado. Com que propósito, com que direito, essa súbita aparição? "Não tens o direito de acrescentar nada ao que disseste", diz, desfiando o argumento que é o ponto alto da história. "Por que nos vieste perturbar?" E promete que, no dia seguinte mesmo, haverá de levar o intruso à pior das fogueiras. Ele não tinha o direito de acrescentar fosse o que fosse ao que já dissera. E a ministração do que dissera não lhe cabia mais.

Dostoievski é ficção. No mundo real, algo próximo da reencarnação de Jesus ocorreu quando, em 1181 ou 1182, na cidade italiana de Assis, veio à luz um certo Francisco Bernardone. Ele não nasceu pobre, como Jesus – era filho de rico comerciante de tecidos. Mas se fez pobre por escolha, e inaugurou a nova vida numa cena teatral em que, tendo de um lado o bispo da cidade e, do outro, seu indignado pai, se despiu até ficar todo nu – "nu como Cristo", disse. Conhece-se, talvez como a de nenhum outro santo, a legenda de São Francisco de Assis. Ele pregava aos passarinhos. Andava com uma simples túnica, na qual amarrava uma corda, à guisa de cinto. Tinha horror a tudo o que era posse ou poder. Beijava os leprosos. Fazia poesias singelas, como o "Cântico do Irmão Sol". Sobretudo, o Poverello, como foi apelidado, tinha como projeto, mais de um milênio depois, retomar o Evangelho em sua literalidade. Se não fosse uma manobra inteligente do Papa Pio XII, em colocar São Francisco como um extremista exemplar, alguem a ser observado com cândida misericórdia, rotulando como exemplo de um homem de Deus. Se esta manobra não fosse feita, talvez Francisco de Assis tivesse outra historia - ou de um homem excomungado, ou de um homem que fora perseguido por heresias.

O monopólio da palavra de Deus hoje, não serve mais aos objetivos humanistas e espirituais, mas ao mercantilismo das diversas religiões que co-existem, em “respeito recíproco”, mas em criticas mutuas dentro de uma dissimulada civilidade. Devíamos nos perguntar os porquês de existirem tantas religiões cristãs - será que é pela incompetência de todas em traduzir a palavra? Será que é pela intolerância aos que buscam revisionar pontos dogmáticos? Será que a coerência não é mais com a palavra, e sim a doutrina religiosa das igrejas? Será que vivemos um momento como aquele e que Jesus, ao chicote, teve de expulsar os vendilhões, pois não há mais pastores para o rebanho de Deus?

Importante mesmo, é que busquemos uma igreja que nos traga paz, e nunca procuremos intérpretes para a palavra de Deus que seja melhor que nós mesmos, pois você e eu, ou melhor, qualquer pessoas tem no estudo dedicado o poder de entender a mensagem de Deus.

O entendimento que Deus nos dá não deve ser usado para destruir crenças, mas para juntar, edificar a todos no cainho da verdade. O dever do cristão é o de reunir a todos em torno de Deus. Religião não vem do grego ‘religare’ mas do latim ‘relegere’, pois não é a noção grega de ligar homem aos deuses, mas sim a idéia de agrupar os homens entorno de Deus.

Reunir os homens entorno de Deus na sua tradução é uma missão de amor. O objetivo deve permanecer no sentimento missionário do amor - “o amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha.” Com este sentimento e sentido, você não separa, mas junta para Deus.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O meu poder se aperfeiçoa na fraqueza

por Alexandre Picarelli

A história da Bíblia não é um relato de homens sobrenaturais, de homens com poderes mágicos e valor moral extraordinário, ou de integridade infalível. A Bíblia trata de duas coisas com muita clareza: De um lado a revelação do caráter de Deus – AMOR, JUSTIÇA E PAZ, e por consequência, o caráter do homem, preso em condição carnal, falível, confuso, limitado.

Podemos ver também como Deus trata a salvação, a partir do desejo do homem em reconhecer e aceitar a Deus, e ter o desejo honesto e sincero de segui-lo em sua vida.

Tendo em mente estes dois momentos, entendo que não interessa a Deus revelar em sua palavra a homens sobrenaturais, que seriam exemplos inatingíveis de conduta, caráter e santidade. Deus mostra uma humanidade que foi criada, menores que os anjos, mas apaixonadamente amada por Ele. A verdade do amor de Deus revelada aos homens, não é propriedade de igrejas, já esta exposta na sua palavra, acessível a qualquer pessoa de boa vontade. Lendo, orando, relendo, estudando, qualquer um de nós, recebe o entendimento vindo de Deus, para compreender com precisão o teor das mensagens que Ele quis nos deixar.

Desenhado o que para mim é importante como, Deus e o homem e o homem e Deus, vamos ao primeiro texto:

“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes permanecer firmes contra as ciladas do Diabo; pois não é contra carne e sangue que temos que lutar, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniqüidade nas regiões celestes. Portanto tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, permanecer firmes. Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça, e calçando os pés com a preparação do evangelho da paz, tomando, sobretudo, o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus;” Efésios 6:11-17

Primeiro, Paulo descreve com quem lutamos. Não enfrentamos alguém como nós, de carne e sangue, nem a luta se faz contra nossa própria natureza, de carne e sangue. Mas lutamos com algo sobrenatural, algo maior e com mais recursos que os humanos. Nesta guerra aparentemente desproporcional, nos é ensinado que se nos apegarmos a alguns recursos como; a verdade, justiça, os ensinamentos de Cristo que é a paz, acreditando sobre tudo, que Deus já fez todo o necessário para nos salvar, aí, em nosso desejo, não na carne pois esta já esta morta junto com o pecado, mas em nosso desejo em espírito de aceitar no que ele nos ofereceu através de nosso Senhor Jesus Cristo. A salvação é uma oferta gratuita feita por Deus, em seu amor por nós, e veremos isto mais a frente. E se alguém, por ignorância ou maldade, nos apontar acusação, temos nossa arma infalível para enfrentarmos tais acusações - a palavra de Deus. Pois está escrito:

- Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Romanos 5:8

- Quem os condenará? Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós; Romanos 8:34

- (...)porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos juntamente com ele. I Tessanocenses 5:9 e 10

Não devemos deixar o diabo, ou homem algum, que nos tire a certeza de que tudo foi feito por Deus, para nosso bem, e para estarmos com Ele.

A maior arma de manipulação do diabo é fazer com que acreditemos que a salvação é impossível, e, principalmente, só pode ser atingida por anjos, pois nós mortais, não temos como atingi-la em nossa condição falível e carnal. Ou que só as igrejas podem nos conferir estes poderes salvadores, só elas podem nos dar este salvo-conduto.

Queridos, o diabo nunca engana com uma mentira absoluta, sempre usa uma verdade distorcida, e ele está certo, na carne não poderemos ser salvos. Por isto Deus nos justifica no sangue de Cristo, e através Dele, podemos servir a Deus em espírito.

Agora vamos a chave da compreensão deste texto - a Graça de Deus, sejamos atentos ao que narra Paulo:

“É necessário gloriar-me, embora não convenha; mas passarei a visões e revelações do Senhor. Conheço um homem em Cristo que há catorze anos (se no corpo não sei, se fora do corpo não sei; Deus o sabe) foi arrebatado até o terceiro céu. Sim, conheço o tal homem (se no corpo, se fora do corpo, não sei: Deus o sabe), que foi arrebatado ao paraíso, e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir. Desse tal me gloriarei, mas de mim mesmo não me gloriarei, senão nas minhas fraquezas. Pois, se quiser gloriar-me, não serei insensato, porque direi a verdade; E, para que me não exaltasse demais pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de que eu não me exalte demais; acerca do qual três vezes roguei ao Senhor que o afastasse de mim; e ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte.” II Coríntios 12:1-10

O que sempre me perseguiu nesta passagem, e que alguns estudiosos dizem que Paulo se referia a uma enfermidade, que o tal ‘espinho’, era talvez um problema de visão. Mas como pode alguém, depois de ter visto o paraíso, reclamar de uma enfermidade? A saúde pra quem sabe pra onde vai depois da morte não é problema (Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda. II Timóteo 4:7,8), Paulo definitivamente, sabedor e coerente da fé em quem acreditava, jamais poderia estar preocupado com sua saúde (Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? I Cor. 15:55). Paulo em tempo algum, em um momento tão místico, tão sublime pediria a Deus uma cura física. E o diabo, jamais usaria algo tão tolo para cravar um ‘espinho na carne’ do apostolo. O que poderia ser então?

Talvez fosse um pecado, ou uma fraqueza, ou uma tendência. Enfim, o fato é que este texto se torna claro quando percebemos que Paulo quer ter sua natureza canal transformada, pois - “não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes com temor, mas recebestes o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai! (Rom. 8:15), Pois os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. (Rom. 8:5)” – Em Romanos 7 ele mostra bem como é o funcionamento entre as duas naturezas “Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, mesmo querendo eu fazer o bem, o mal está comigo”. É muito simples compreender esta distinção, somos libertados em espírito para servir a Deus, mas nossa natureza carnal só deixará de existir quando da segunda vinda de Jesus.

Não há base coerente para se acreditar que Paulo, em momento tão impar a um humano mortal, em situação tão especial, rogasse por uma deficiência física. Paulo pediu que sua natureza fosse transformada, para que seu “espinho”, seus pecados, não mais, em seu entendimento limitado, continuasse sendo usado pelo inimigo de Deus. Jamais satanás iria falar: olha sua saúde, sinta-se envergonhado por isto; mas dizer: olha os teus pecados, se envergonhe por eles, aí sim faz todo sentido. Neste instante, Deus responde: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” É mostrando um pecador que crê na justiça de Deus, que Ele tem o poder para salva-lo, mesmo nesta condição humana, nesta fraqueza condicional é que revela o seu amor e seu poder.

Quando Jesus, ao invés de curar um enfermo lhe perdoa os pecados, houve grande tumulto, e neste momento Jesus pergunta se era mais difícil curar um enfermo ou lhe perdoar os pecados? Sem duvida, perdoar pecados é um dom de Deus e, é muito mais importante ser salvo para a vida eterna que estar com saúde, pois este corpo é mortal, esta sob o preço do pecado que é a morte.

Queridos, o importante portanto, não é estar neste momento, vestidos com esse corpo carnal fraco, falível, corruptível; mas acreditar que somos adotados por Deus, em espírito. Paulo ensina que não há como não sermos falíveis, mas podemos buscar sermos melhores, para nós e nosso próximo, de vitória em vitória, até que Jesus venha nos buscar e sejamos transformados. Até lá, nos basta à graça de Deus, que é a base de nossa fé. A diferença entre carne e espírito é a chave para o entendimento da justificação pela fé.

domingo, 14 de junho de 2009

Dona Herminia Judith de Paula Martinho

Por Alexandre Picarelli

Lembro sempre de uma senhora que foi muito importante na minha vida. Durante pelo menos uns 6 anos da minha infância, dos 5 aos 11 anos, passava minhas férias de julho no sitio da minha avó que foi, sem duvida, uma mulher extraordinária.

Nasceu em Portugal em 1900 e aos 14 anos venho para o Brasil e, trabalhou muito, e, sofreu outros tantos. Depois de aposentada comprou um terreno, um sitozinho na cidade de Tapiraí.

Acham que ela sossegou? Nada. Ela ajudou os carentes da cidadezinha, levou Deus as pessoas que criaram, pouco a pouco, afeto e admiração por ela. E sozinha, sem ajudada de ninguém, construiu uma igreja Adventista, pois dizia que a cidade que ela morava tinha que ter um templo de sua convicção.

Ela me ensinou qual é o caminho do bem, a ter certeza da existência de Deus, coisas que hoje me fazem ficar em pé. Lembrar dos dias que passava lá, dias de brincadeiras na mata, num espaço onde podíamos acreditar que o mundo era um lugar seguro, de noites de céu cheio de estrelas, vagalumes decorando árvores, fazendo-as brilharem mais belas que qualquer pisca-pisca de natal. Tudo parecia mágico; as tardes, os dias, as sombras, o sons dos animais, as grandes árvores na mata, rios, quedas d’agua... Manhãs e noites encantadas que Deus nos presenteava todos os dias.

Suas estorias no fim do dia, sempre emocionantes, tiradas da Bíblia, em noites frias, com uma bacia de brasas embaixo da mesa pra nos aquecer, uma caneca de chocolate quente, e deliciosos bolinhos. Uma vez nos acordou de madrugada para ver os pintinhos saírem da casca, coisinhas molhadas que logo ficavam secas e se tornavam tufinhos amarelos.

Depois de um tempo parei de ir pra lá, mas ela continuou ativa e sempre ajudando as pessoas. No alto de seus oitenta e poucos anos, viajava sozinha para São Paulo para buscar fardos de enormes, que chegavam dos Estados Unidos, de roupas para distribuir para os carentes.

Recebeu da cidade que escolheu para viver, Tapiraí, a menção honrosa de Cidadã Emérita logo no finalzinho de sua missão. Pouco tempo depois teve um agravamento no joelho, venho para São Paulo, e nunca mais retornou para o seu sitiozinho.

Sempre tive um respeito muito grande, e também, um amor velado maior que o respeito, que dividíamos em abraço apertado quando ia visitá-la. Ela Deixou um legado moral tão forte, que todos nós, seus familiares, nos lembramos dela com respeito e carinho.

Este poema, de Cora Coralina não tem como não me levar de novo para Tapiraí; faz-me ver novamente minha avozinha sorrindo ao lado de seu fogão de taipa, preparando alguma coisa gostosa em sua casinha simples, com suas coisinhas simples.Uma saudade tão boa de alguém que, realmente me deixou uma grande herança - O BOM CAMINHO. Ela foi a minha mestra, minha mentora.

HUMILDADE
CORA CORALINA

Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.

Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.

Daí, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
na longa noite escura,
numa terra sedenta
e num telhado velho.

Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.

E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Só este que não pode

Por Alexandre Picarelli

Hoje com o surgimento das igrejas pentecostais, nasceu uma confusão em torno da justificação pela fé. Jesus morreu pela remissão incondicional dos nossos pecados? A lei acabou na cruz?

Uma vez ouvindo um sermão do amado pastor Bullon, onde ele exemplificou em uma demonstração sobre o pecado, a lei e o sangue de Cristo da seguinte forma:

- O pecado é barro, a lei é um espelho, e o sangue de Cristo é uma água cristalina.

A ilustração funcionava da seguinte forma; o pastor pegou um pouco de barro, passou no rosto e numa colocação hipotética, ele não sabia que estava com o rosto sujo com o barro. Sem saber, todos viam nele a sujeira, mas ele, imprudente com a sujeira, continuaria seu caminho com o rosto sujo até que, encontra um espelho, e vê nele seu rosto sujo. Neste momento ele conseguiu, ver e reconhecer que seu rosto estava sujo de barro. Agora, descobrindo que seu rosto estava imundo, ele pega a água cristalina e lava o rosto, retirando todo o barro ficando limpo novamente.

Um exemplo bastante simples, mas perfeito. A lei é maior que o sangue de Cristo? Jamais! Mas, sem a lei, como reconhecer o pecado?

E no momento em que ouvia este exemplo, pensava... Quais os mandamentos que posso pregar junto com Cristo na cruz, quais que ainda tenho que seguir?

Bem, fui por partes:

- O primeiro é que o Senhor é meu Deus. Bem, este acho eu que tenho que guardar.

- O segundo é que não posso ter outros deuses a não ser Ele. Acho que este tenho que guardar também.

- O terceiro é que não devo adorar nenhuma imagem, pois só meu Senhor merece minha adoração. Ta bom, este também acho que tenho que respeitar.

- O quinto é que meus pais devem ser respeitados e honrados por mim, assim como nós, como filhos de Deus, devemos respeita-lo e honra-lo. Hum... Acho que este é fundamental. Tenho que guardar.

- O sexto é não matar. A vida é dom e dádiva de Deus, portanto, somente ele tem direitos sobre a vida. Acho que este está na cara que devo guardar.

- O sétimo é não adulterar. Se tenho que ser coerente com o que acredito, e não posso adulterar minha fé, devo sim viver da mesma maneira com a companheira que escolhi. Este esta claro, tenho que guardar.

- O oitavo é não furtar. Um temente a Deus ladrão não dá, não é?! Guardo este também.

- O nono é não cobiçar a parceira do próximo. Me lembrei da história deDavid e a mulher de Urias. Não posso mesmo. Este tenho que guardar também.

- O décimo é não cobiçar o que é do próximo. Ora, se eu acredito no meu Senhor, e creio, que nada acontece sem que ele permita, então o que é do meu próximo foi Deus quem permitiu por mistério dEle. Então se eu cobiçar estarei questionando o próprio Deus. Este nem tem como não guardar.

Que estranho! Se todos os mandamentos são perfeitos e válidos para os dias de hoje, como referencia de como devo proceder no meu viver, porque o quarto mandamento que é - “Lembra-te do dia de sábado para o santificar” - só este não é mais valido?! E o mais estranho, Deus usou a palavra “santificar”, deu ao sábado um aspecto de santidade.

Em verdade em verdade, este mandamento só não seria valido se eu não tivesse nenhuma coerência com a palavra de Deus. Pois, se eu abro precedente para aceitar que apenas um dos mandamentos não é mais valido, eu não só coloco os demais na mesma jurisprudência de questionamento, como acabo por abrir precedente pra questionar todo o resto. E se assim fosse, eu seria um louco, pois só um louco acredita que nove são válidos e um não.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Velha Étiva ou Nova Ética?

Por Alexandre Picarelli

“Está tudo misturado. Deus está no inferno e o diabo está no céu.”

O Pagador de Promessas (Dias Gomes)

Em nossos dias, o religioso e o espiritual estão tão a granel, as tendências estão tão livres, tão imediatistas e fáceis, as religiões buscam tanto o atendimento dos interesses pessoais de seus membros e de seus dirigentes - visando o lucro que isto vai trazer – que atropelam os interesses do Divino, fazendo que a frase de “O Pagador de Promessas” pareça mesmo à ética do futuro.

Quando buscamos uma religião, entendemos que está deva estar em concordância com os fundamentos dos quais leva o nome. O budismo, com os preceitos de Buda; o islamismo, com os ensinamentos de Alá; o judaísmo, em sintonia com a Tora; e o cristianismo com o que Cristo indicou como sendo caminho para Deus.

Seria simples se os religiosos não fossem fundamentalistas, nem extremistas, nem capitalistas e, muito menos, fizessem da fé que proclamam, um mercado de toda espécie de artefato e conveniências que, ao invés de atender o que as pessoas que às procuram para ocupar um espaço o vazio em suas almas, atendem antes aos interesses muitas vezes ligados a facções ideológicas seculares, sem jamais se identificarem com o espírito.

Óbvio? Nem sempre o óbvio é claro!

Sem ser maniqueísta, mas aceitando a existência nuclear da humanidade, sabendo da guerra entre o bem e o mal existente dentro de cada um. Este “MAL” está construindo, principalmente no último século, uma teia de armadilhas tão aceitáveis e cabíeis para os dias de hoje, que o mundo se rende cada dia um pouco mais a uma ordem, tão destrutiva, que chama de “nova ética” a ausência de ética.

Mas a desculpa, para a quebra de valores fundamentais, é que o mundo se modernizou, a ciência está, a cada segundo, trazendo novos benefícios e novas visões, sobre realidades não observadas antes destes avanços. E nós, temos a obrigação “moral” de nos adaptar a este progressos.

E senhores, avançamos cada momento mais para um abismo sem salvação. Hoje, em nome desta nova estrutura mundial, as famílias se separam com um dia de casamento, crianças estão incontrolavelmente mal educadas e sem freios, a sexualidade é uma verdadeira salada de tudo que se possa imaginar. E nós? Nós temos que aceitar calados toda a destruição da ética, em nome de sermos pessoas racionais, inteligentes, modernas.

Estamos nas mãos de homens tão arrogantes, que acreditam que não são eles feitos a imagem e semelhança de Deus, mas sim, Deus que é a semelhança deles.

O mundo atual parece ser tão saboroso e sensual que vale uma reflexão urgente do que queremos para o futuro de nossos filhos. Será que a possibilidade do estupro permitido na justificativa da fraquesa de qm o praticou, da pedofilia entendo que é fruto de uma doença, das orgias que atendendem necessidades instintivas, do aborto em cada posto de saúde, do lucro mais importante que a família, e de toda a abominação é o único destino cabível dentro de um mundo moderno e racional? E ai meu amigos, neste futuro não tão distante, este mundo será algo como Deus no lugar do inferno, e o inferno no céu.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Pai Nosso
por Alexandre Picarelli


Pai nosso que estas nos Céus, atento e amoroso,
Santificado seja seu Nome, pois tu és Santo, Santo, Santo;
Venha a nós o Vosso reino de amor, paz e justiça;
Seja feita a Vossa vontade de amá-Lo sobre todas as coisas e, de amar ao nosso próximo como a nós mesmo. Que construamos a verdade e plantemos o amor assim na terra como teus anjos no céu;

O pão nosso de cada dia que nos alimenta o corpo, e principalmente o que nos alimenta o espírito que é tua palavra, nos daí hoje;
Perdoa-nos as nossas dividas, quando esquecemos dos teus caminhos, quando erramos, em nosso egoísmo, no ódio, na ofensa, na discórdia, na duvida, no desespero, na tristeza, assim como compreendemos e perdoamos os mesmos erros humanos, a ignorância e ausência de ti, em nossos devedores;

Não nos deixeis cair em tentação, diante de um mundo tão cheio de possibilidades que nos afasta de ti;
Livra-nos do mal da cobiça, da luxuria, da mentira, da violência, que poderemos cometer, ou, que podem ser cometidos contra nós,

Porque teu é o reino de amor, paz e justiça, O poder de nos libertar do cativeiro do pecado, E a gloria, deste Deus maravilhoso em amor, que lhe daremos para todo o sempre...
Amem

Constituição do Cristianismo